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CONSOLADORA DOS AFLITOS – Por Dom Alberto Taveira Corrêa

Uma tradição consistente nos legou o mês de maio como especialmente dedicado à devoção mariana. Homenagens à Virgem Maria, oração do Rosário, Coroações e tantas outras formas carinhosas, adequadas ao reconhecimento da missão confiada à Mãe de Deus e nossa. Entre nós, algumas celebrações são marcantes neste mês, mesmo com as dificuldades vividas por todos. Nossa Senhora de Fátima, a treze de maio, é celebrada com uma das maiores manifestações de piedade na Paróquia a ela dedicada, na região central de Belém, e também em Icoaraci. Nossa Senhora Auxiliadora é título de uma Paróquia em Ananindeua e padroeira dos Salesianos e Salesianas. No dia trinta e um de maio, a Visitação de Nossa Senhora é celebrada na Basílica de Nazaré com a coroação da Imagem original de Plácido, precedida da novena mariana que já acontece nestes dias em nossa cidade. Naquele dia, será ainda apresentado o cartaz do Círio de dois mil e vinte. Nossa Senhora da Consolação é recordada também no mês de maio, pela proximidade do Pentecostes, mesmo que sua festa, devoção dos Agostinianos e dos Missionários da Consolata, seja realizada em outras datas do ano.

O Papa Francisco brindou a Igreja com uma carta especial para este mês de maio, convidando toda a Igreja, especialmente as famílias, à oração do Rosário. Ao final da carta, propôs duas orações dirigidas à Virgem Maria. Uma delas, muito adequada para ser rezada no dia das mães, diz assim: “Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração. Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão onipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal. Confiamo-nos a vós, que resplandeceis em nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amém” (Papa Francisco).

No quadro de sofrimentos atual da humanidade e da Igreja, desejamos propor à reflexão de todos o título da Bem-aventurada Virgem Maria, Consoladora dos Aflitos, também chamada “Mãe da Consolação” (Cf. Missal Mariano, página 211). A Constituição Dogmática sobre a Igreja – Lumen Gentium (Número 68) afirma que “a Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor” (Cf. 2 Pd 3,10).

De fato, Deus todo-poderoso e misericordioso socorre seu povo que sofre, mas a maior consolação dos homens foi Cristo que o Pai enviou para consolar os aflitos de coração (Cf. Is 61,1-3.10-11). São Paulo proclama esta verdade de forma exemplar: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação. Ele nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição. Pois, à medida que os sofrimentos de Cristo crescem para nós, cresce também a nossa consolação por Cristo. Se passamos por aflições, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados, é para vossa consolação. E essa consolação sustenta vossa constância em meio aos mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2 Cor 1,3-6). Jesus Cristo, o bem-aventurado por excelência, é a consolação que o Pai enviou aos aflitos de coração. Por isso ele pode proclamar “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5,4).

Maria é Mãe da Consolação porque participou da aventura da fé, unindo-se ao seu Filho amado. Nós a vemos peregrina, indo a Belém, no final de uma gravidez. E foi numa pobre manjedoura, lugar dos animais se alimentarem, que repousou aquele que viria a ser o Pão da Vida. Maria foi para o exílio, com José e o Menino, experimentando a dor e a consolação que vêm da realização da vontade de Deus. É Mãe da Consolação ao viver no escondimento de Nazaré, guardando em seu coração todas as coisas e meditando-as em seu coração. Mãe da consolação foi aquela que, vendo o apuro dos noivos de Caná, fez acontecer a graça do primeiro milagre de Jesus, o milagre da alegria.

Aos pés da Cruz, sofreu o martírio na alma, junto com seu Filho. Vale acolher o ensinamento de São Bernardo de Claraval: “Não vos admireis, irmãos, que se diga ter Maria sido mártir na alma. Talvez haja quem pergunte: ‘Mas não sabia ela de antemão que iria ele morrer?’ Sem dúvida alguma. ‘E não esperava que logo ressuscitaria?’ Com toda a confiança. ‘E mesmo assim sofreu com o Crucificado?’ Com toda a veemência. Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer? Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração? É obra da caridade: ninguém a teve maior! Obra de caridade também isto: depois dela nunca houve igual” (Cf. Sermo in dom. infra oct. Assumptionis, 14-15: Opera omnia, Edit. Cisterc. 5[1968],273-274 – Séc. XII)

No Cenáculo, na preparação do Pentecostes, rezando com os Apóstolos, Maria pediu e esperou confiante o Espírito da Consolação e da paz. Elevada ao Céu, consola com amor materno todos os que com fé a invocam, até que brilhe o dia glorioso do Senhor (Cf. Prefácio da Missa da Bem-aventurada Virgem Maria, mãe da consolação).

Com este título, Maria é também invocada como protetora dos lares, pedindo por nossas famílias a harmonia e a conversão. E a Mãe da Consolação, cuja figura também resplandece de modo tão afetuoso nas mães, que nelas se espelham, seja sinal, consolo e amparo para todas elas, no dia que lhes é dedicado.

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