D. Eliseu Maria Coroli: o Missionário feliz – por Padre Francisco M. Cavalcante

História do Servo de Deus Dom Eliseu Maria Coroli

OS PRIMEIROS ANOS

O Servo de Deus Dom Eliseu Maria Coroli nasceu num povoado chamado Castelonuovo, norte da Itália, em 09 de fevereiro de 1900. Seu nome de Batismo era Eliseu Elias Ferdinando Coroli. Seus pais se chamavam Anacleto Ludovico Coroli e Maria Molinari. Eliseu era o quarto de oito irmãos. Família de camponeses humildes. Já na infância, Eliseu conheceu a dureza da vida do agricultor.

Mesmo com as dificuldades do rigoroso inverno europeu e larga distância da escola, os pais do pequeno se esmeravam em possibilitar meios para os filhos estudarem e frequentarem as missas. A indubitável presença da fé cristã em sua família ajudou a forjar em seu coração profundidade na vivência espiritual.

Os sólidos valores morais e religiosos que ele recebeu no seio familiar, foi-lhe inculcado o zelo pelo trabalho, estudo e oração, os três pilares que um religioso observante deve conservar.

“A família é um ninho natural que Deus criou para entrarmos no mundo amparados pelo calor dos pais e dos irmãos” (Dom Eliseu M. Coroli).

QUERO SER FELIZ

Eliseu era uma criança vivaz, garoto cheio de interrogações; certa vez, em conversa com sua mãe indagava sobre a felicidade, o texto abaixo é fruto de um colóquio que ele fez partilhando um pouco de sua história. Para conservar essa memória gravou-se um áudio que é conservado no seu memorial, em Bragança, no Instituto Santa Terezinha. Esse precioso momento de sua vida foi imortalizado também na obra “O Missionário Feliz”, de autoria da Irmã Terezinha Colares:

Eliseu: Mamãe, eu quero ser feliz… Como é que eu posso ser feliz, mamãe?

Maria Molinari: Se você quer ser feliz tem que ser um menino bom, muito bonzinho mesmo, e amar muito a Jesus!

Eliseu: Mas eu quero ser muito feliz, muito feliz mesmo… O que devo fazer quando for grande?

Maria Molinari: Bem meu filho, para ser feliz quando for grande, seja Padre, eles são felizes no que fazem.

Eliseu: Mamãe, eu quero ter certeza de ser feliz de verdade sendo padre, mas muito feliz mesmo, feliz, muito feliz!

Maria Molinari: Meu filho, você quer ser muito feliz mesmo? Então, vá ser Missionário para ser muito mais feliz!

Eliseu: Pois, mamãe, eu vou ser Missionário para ser muito feliz, feliz mesmo, feliz de verdade.

O desejo de felicidade fez com que o jovem Eliseu buscasse servir a Deus na vida religiosa. A felicidade seria uma marca indelével em sua caminhada.

“Jesus, quero sorrir a Ti vivo na Hóstia consagrada, continuando lá fora o meu sorriso, a todos com terno amor” (Dom Eliseu M. Coroli).

DE UM EQUÍVOCO A UM ACERTO

Eliseu e seus familiares participavam da missa dominical na Paróquia de Pienello. Dom Castagnetti, ao celebrar missa na paróquia, discorreu sobre a vocação sacerdotal. Ao final da missa, o Sr. Ludovico, entusiasta, procurou o sacerdote responsável pela paróquia e deu o nome de seu filho para que ingressasse no Seminário. O reverendo anelava levá-lo para a casa formativa da diocese, certamente tinha certa intimidade com a família e tinha ciência da valiosa “joia” que eles estavam doando a Igreja.

Chegou o dia de ir à nova casa, era 18 de outubro de 1911. Com apenas 11 anos de idade, o pequeno Eliseu empreende viagem para concretizar seu sonho: ser feliz!

A Divina Providência tem seus meios imperscrutáveis de agir. Em vez de deixar Eliseu no Seminário da Diocese, por engano, seu pai o deixou na Escola Apostólica São Bartolomeu, pertencente à Ordem Religiosa dos Barnabitas, em Gênova. Sem se dar conta, o equívoco de endereço foi um acerto indubitável na realização das aspirações vocacionas do menino: ser missionário para ser muito feliz. Consequentemente, pode-se afirmar que se bateu à porta errada para encontrar a porta certa. Eis que os Clérigos Regulares de São Paulo, sem saber, acolheriam aquele que na posteridade seria um gigante na evangelização da Amazônia.

“Seguir Cristo quer dizer: imitá-lo, tê-lo como mestre, pensar como Ele pensou, desejar o que Ele desejou, apaixonar-se pelo que Ele se apaixonou” (Dom Eliseu M. Coroli).

RELIGIOSO SOLDADO

Ao concluir os estudos na escola apostólica, foi ao noviciado em Monza, em agosto de 1916. Em 22 de novembro de 1917, faz sua profissão Perpétua, com 17 anos.

Em 1918, período em que cursava o Liceu, em Lodi, teve que interromper os estudos, pois foi convocado para servir como soldado na guerra. Eram tempos complexos e o jovem religioso teve que ser arrancando no seio do convento para servir no Vigésimo Terceiro Regimento de Infantaria. Foi transferido em janeiro de 1920 a Navaro, para ser escrivão da Primeira Companhia de Sanidade.

Alguns testemunhos de Eliseu desse período:

“Devo agradecer ao Senhor e à Nossa boa Mãe Santíssima que sempre me protegeram com grande amor e não permitiram que a minha fraqueza fosse, gravemente, tentada”.

Em meio à correria do Quartel, às vezes, distante de uma igreja, a dificuldade de participar das missas, confessar, realizar suas práticas de piedade, eram fardos que o jovem religioso enfrentava com muito pesar. Mas Deus sempre manda anjos que nos ajudam a encontrar a luz onde há abundante escuridão: “Tive Superiores bons e condescendentes; ocasião para cumprir as minhas práticas de piedade”.

“Finalmente, em 05 de dezembro, o Senhor e Maria Santíssima concederam-me a nova graça de entrar como escrivão, neste Hospital e onde posso ter conforto de rezar”.

O ambiente na Caserna era diverso de um convento. Em seus colóquios com as Irmãs Missionárias, Dom Eliseu dava testemunho de que muitos jovens se deixaram levar pela leviandade naqueles anos, fossem eles jovens sem vínculo com um Instituto Religioso ou religiosos; viu muitos destruírem sua vocação.

“Quando era dia de folga, alguns saíam e passavam a noite fora… Enquanto isso, eu aproveitava para ir à Santa Missa, como o fazia diariamente. Ao chegarem após o dia de folga, os colegas vinham contar-me as suas aventuras, convidando-me a ir depois com eles para outras diversões semelhantes. Olhando para eles, via os seus rostos fatigados, os olhos turvos sorrindo constrangidos, eu respondia-lhes: Não irei, prefiro permanecer na caserna. Aqui, sinto-me disposto, em paz com minha consciência… Vocês dizem que esses passeios são bons, mas voltam abatidos, perturbados, aparentando uma grande insatisfação… Não, não irei”.

Eliseu lutava para encarnar o ideal de vida proposto pelo santo fundador de sua Ordem Religiosa: “Devemos desejar e buscar o mais alto grau de perfeição” (Santo Antônio Maria Zaccaria). Em seus testemunhos dizia que em vez de gastar em noites de luxúria o pouco soldo que recebia, comprava papel, envelope, selo e escrevia toda semana aos seus Superiores Religiosos, dando-lhes notícias de sua caminhada espiritual. Costumava dizer que aquelas pias cartas foram instrumentos de Deus na salvação de sua vocação.

O jovem Barnabita conheceu a miséria do mundo, as atrozes feridas deixadas pela guerra na alma e na carne. Dizia que a vida militar não lhe levou para o mal, antes, abriu-lhe os olhos. Entendeu que “não valia a pena o prazer oferecido pelo pecado: não dava paz, não dava a verdadeira alegria, não dava felicidade” (Dom Eliseu).

Os soldados que se deixaram acorrentar pelas propostas lascivas do mundo, tornaram-se como folhas secas: o ventou bateu e eles caíram. Naqueles anos, muitos envenenaram sua vocação e sufocaram a voz de Deus em seu interior.

“A coisa mais importante para um cristão é a conversão da própria mentalidade: a confissão sincera para limpar o coração, pois o coração do homem é feito para amar” (Dom Eliseu M. Coroli).

Texto: Padre Francisco Maria Cavalcante

As fotos usadas foram retiradas do site: www.domeliseucoroli.blogspot.com

 

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