Quinta-feira, Corpus Christi: Reflexão do Evangelho

Reflexão do Evangelho – Lucas 9,11b-17

Corpus Christi

Por Padre Ferdinando Maria Capra, CRSP

Na Última Ceia, Jesus institui o memorial da sua imolação. Oferece aos Apóstolos a sua carne para que, consumindo-a, tomemos parte do seu sacrifício. Quando repetimos o seu gesto, Jesus volta a exercer o seu sacerdócio, pela ação dos seus ministros. A assembleia reunida entra em comunhão de graça pelo pão consagrado que consome. Jesus é, ao mesmo tempo, sacerdote e vítima.

A Igreja apostólica explicitou o sentido do pão abençoado, partido e distribuído com as narrativas da multiplicação dos pães, explorando a figura do maná. No deserto, onde não havia nem alimento, Deus nutriu o seu povo para este lembrar que o seu Deus era o único Deus.

Em Jo 6, Jesus explica o sentido do Memorial que instituiu. O alimento que ele oferece não é como o maná que os hebreus comeram, mas morreram. É o pão que produz a vida eterna em quem o come, porque é “a sua carne, a carne do seu corpo oferecido em sacrifício sobre a cruz para a vida do mundo” (Jo 6,51).

Para poder usufruir dos benefícios deste alimento, fruto do seu sacrifício de expiação, o fiel, nos diz Paulo em 1Cor, deve examinar a si mesmo, para não se aproximar indignamente do altar para comungar.

Deve o fiel se questionar se aprofunda a compreensão deste importante gesto, pelo qual se renova o sacrifício da Cruz, e aos fiéis é dado de aplicar às suas almas os benefícios que dele derivam. O milagre que provocou a instituição desta festa ocorreu exatamente pela falta de fé de um sacerdote que duvidava  da condição sacramental do sinal estabelecido por Cristo Jesus. O pão se torna sinal visível da graça invisível que Jesus pode comunicar, em virtude dos méritos da sua imolação, como vítima sacrifical.

Deve o fiel celebrar a ação de graças diante da graça que lhe é concedida, de participar dessa forma tão intensa do sacrifício que Jesus ofereceu para a sua redenção.

Deve o fiel, no que lhe concerne, tornar a sua vida um sacrifício espiritual agradável a Deus, procurando sempre realizar o que é bom, agradável e perfeito (Rm 12,1).

A Missa é um programa de vida que deve ser continuamente revisto, para ser sempre mais eficiente. A isto nos movem as palavras finais da Catequese apostólica que João redigiu no fim da sua redação: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes seu sangue, não tereis a vida em vós (Jo 6,53).

Padre Ferdinando Maria Capra pertence à Ordem dos Clérigos de São Paulo (Barnabitas) e serve no Rio de Janeiro (RJ).