Reflexão: Primeiro domingo da Quaresma – Ano C

Lc 4,1-13

Cada evangelho  é um manual catequético que, pela obra literária de cada evangelista, resume a pregação apostólica acerca de Jesus.

Os Apóstolos são aqueles que desde o princípio estiveram com Jesus e que, como eles nos testemunham, chegaram a compreender as Escrituras que diziam que “o Messias devia ressuscitar dos mortos”.

A cada ano, através da Liturgia dominical, renovamos a nossa reflexão sobre a Pessoa divina de Jesus que nos familiariza com as etapas do Plano de Deus. O Advento nos anunciou profeticamente o Redentor através das figuras do Emanuel, do Príncipe da Paz, do Rebento da raiz de Jessé sobre quem repousa o Espírito do Senhor. O Tempo do Natal nos levou a refletir sobre a condição divina de Jesus, o “Unigênito Deus”, a Palavra criadora, a Vida que se torna Luz dos homens. O Tempo comum no-lo apresentou em ação, a partir da apresentação da teofania ao Rio Jordão, momento em que Jesus é consagrado para a sua missão redentora. João Batista no-lo interpreta dizendo: “Aquele que vem depois de mim existia antes de mim. Ele vos batizará no Espírito Santo. Ele é o Filho de Deus”.

Com a Quaresma, como nos diz a oração inicial, queremos aprofundar o conhecimento de Jesus para corresponder ao seu amor. Isto significa que começamos a nos interessar como discípulos que querem implementar os ensinamentos de tão grande Guia, que se proclamou “Caminho”, na condição de “Verdade-Vida”.

Primeiro ensinamento. Jesus deixa-se impelir pelo Espírito e vai ao deserto. A especificação do tempo ao longo do qual lá fica, “quarenta dias”, é uma clara alusão ao povo de Israel que ficou no deserto “quarenta anos”. Enquanto Israel, na sua peregrinação rumo à terra prometida se rebelou e murmurou contra Deus, até merecer o castigo que o privou de entrar na terra prometida, Jesus se revela vencedor porque responde ao diabo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Dt 8,3). Grande ensinamento para a nossa vida cristã: temos que nos nutrir com a Palavra de Deus, ao longo da nossa peregrinação nesta terra (Cl 3,16). Ela nos fortalece para fazer a vontade de Deus (“o meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra”, Jo 4,34). O fiel cumpre este mandamento de Cristo Jesus e, dessa forma, corresponde ao seu amor quando, na assembleia dominical, “ouve a Profecia e a medita no seu coração” (Ap 1,3).

Segundo ensinamento. Quando o diabo mostra a Jesus os reinos da terra para que os conquiste para se sentir realizado, Jesus responde: “Adorarás o Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto”; ensinamento que Jesus comenta dizendo: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se, depois, perde a sua alma”?  A ambição desmedida e a idolatria das riquezas é algo mortal para o espírito.

Terceiro ensinamento. A forma histriônica, na prática da religião, deve ser excluída como meio de arrebanhar fiéis: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Ele não é máquina de milagres.

Autor: Padre Ferdinando Maria Capra

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