Irmãos, façam de tal modo que não haja prisões, nem qualquer outro tipo de torturas entre nós, porque julgamos supérfluo punir, dentre nós, os que não se deixam violentar pelo amor da virtude e de Deus e pelo temor do juiz divino ou humano; pois não pretendemos dar-lhes leis de temor, mas de puro amor.

Quem, pois, não se corrigir depois da terceira admoestação, seja expulso da Congregação na quarta vez, para nunca mais voltar.

Façam a admoestação nas três primeiras vezes já ameaçando de expulsão; e isso para qualquer defeito, mesmo que ele seja a negligência voluntária de quem não se preocupa em crescer. Ora, tudo isso deve ser entregue ao julgamento e ao parecer dos Discretos, porque quem  tem culpa, é considerado como indiscreto e destruidor da vida religiosa diante de Deus e dos homens. Se este irmão deixar sujar com defeitos ou com grande negligência a beleza da vida religiosa, a sua expulsão não é feita por crueldade, mas por misericórdia, para que não estrague os outros com sua peste venenosa.

Lembrem-se também disso: seríamos tachados de grande presunção, se acreditássemos que esses expulsos não se poderiam salvar fora da nossa Congregação ou até que provavelmente se perderiam. Irmãos, deixem os que saíram entregues à sua bondade ou malícia, porque não nos compete julgá-los, louvá-los ou injuriá-los, pois isso é função da autoridade, em cujas mãos os deixamos. Mas, no caso de serem expulsos por causa de culpa grave, avisem a autoridade a respeito disso e, depois, deixem que a própria autoridade se encarregue de puni-los

Irmãos, na hora da admoestação para expulsar alguém, não estabeleçam grande diferença entre os defeitos, se são grandes ou pequenos na opinião dos homens. Considerem se esses defeitos são claramente voluntários ou então, resultado de negligência proposital, porque Cristo morreu por causa de todos eles. (cf. Cap.12) Se alguém errar por simples negligência ou por fragilidade, castiguem-no, mas de tal modo que aceite mais o arrependimento voluntário do que a pena que foi dada. Irmãos, na hora da admoestação para expulsar alguém, não estabeleçam grande diferença entre os defeitos, se são grandes ou pequenos na opinião dos homens. Considerem se esses defeitos são claramente voluntários ou então, resultado de negligência proposital, porque Cristo morreu por causa de todos eles. (cf. Cap.12) Se alguém errar por simples negligência ou por fragilidade, castiguem-no, mas de tal modo que aceite mais o arrependimento voluntário do que a pena que foi dada.

Se vocês descobrirem depois, que os eleitos Discretos erraram nas coisas ditas acima, dizendo que é preciso ter piedade – o que, na verdade, é uma falta de piedade – castiguem-nos assim: daí pra frente, não os aceitem mais neste ofício e, se eles se queixarem, (do jeito que for esta queixa), expulsem-nos da Congregação, porque, como convém aos Superiores procurar a caridade em proveito dos irmãos, assim também é necessário que os irmãos ajudem os Superiores na correta observância, sabendo ao certo que, segundo a Escritura, “a injustiça brotou… vinda dos velhos juízes que passam por guias do povo” (Dn.13,5) e, em outro lugar: “Foi pelos erros dos profetas e pelos crimes dos sacerdotes que derramaram sangue inocente dentro da cidade” (Lm.4,13).

Mas, para que vocês possam remediar esses males com todo seu poder e para que não haja divisões ou conspirações por falta de chefe, queremos e ordenamos que os discretos sejam eleitos pelo Superior e pelos professos que sejam, na ocasião, residentes na mesma casa.

Após a eleição dos discretos, eles se reunirão juntamente com o superior, com os outros que não foram eleitos discretos e escolherão um dos presentes ou mesmo um dos discretos que seja, de fato, zeloso para com as coisas da Congregação; essa pessoa, quando julgar oportuno, poderá reunir todos os irmãos professos, mas somente por causa do seguinte: para ver se algum dos discretos ou até mesmo o próprio superior foram negligentes ou injustos em relação aos merecedores de expulsão ou da advertência preventiva da expulsão. Uma vez certificada a sua negligência ou injustiça – por meio de mais da metade dos votos – notifiquem aos interessados a sentença de expulsão nas modalidades acima ditas; porque, em tudo e por tudo, vocês não devem cuidar de pessoas sem boa disposição e que não sejam muito zelosos com a Congregação e com a honra de Deus. Ai de nós, se alguém puder afirmar como verdade: “Senhor, aumentaste o povo, mas não aumentaste a alegria” (Is.9,3).

Esse que foi eleito pelos irmãos para tal função, permaneça no cargo de acordo com a vontade dos mesmos irmãos e, quando for removido, reúnam-se da mesma forma como já foi estabelecido antes, da mesma forma, escolham outro.