Todas as vezes que os superiores e os discretos julgarem oportuno reformar, acrescentar ou suprimir alguma coisa do que foi dito anteriormente, que isso não se faça sem o consentimento de todos os irmãos da Congregação que têm direito a voto. Os que não estiverem presentes serão notificados por escrito sobre o que foi decidido fazer e, ainda mais, vocês levarão ao seu conhecimento todas as conclusões. Não permitimos que qualquer acréscimo, supressão ou reforma tenha valor, sem que seja observado tudo o que foi dito e ainda se disser.

Dunque, nelle cose che si proporranno di fare, se i tre quarti di tutti i vocali come sopra, non saranno d’accordo, vogliamo che ogni cosa sia e si intenda per non fatta.

Por isso, se a terça parte de todos os que têm direito a voto não concordar com o que foi proposto fazer, queremos que toda a proposta seja rejeitada.

Ora, se por acaso for decidido algo que revele relaxamento da vida e do rigor desta disciplina, queremos que, antes, se tomem providências que favoreçam aqueles que não concordarem com este relaxamento e com tal decisão. Para que ninguém, principalmente os tíbios, possa violar a presente Ordenação, tal como se disse antes no Capítulo das penas, queremos: que aquele ou aqueles que foram eleitos pelos irmãos para corrigir os erros ou as negligências praticadas pelos Superiores e discretos a respeito das advertências e da expulsão dos irmãos que falharem, como se disse acima no capítulo das penas sejam os definidores, junto com o Superior maior, de tudo o que se quiser tratar nas assembléias, de tempos em tempos e, que de modo algum, consintam em algum relaxamento.

E para que tudo seja observado com maior eficiência, queremos e ordenamos que, aquele ou aqueles designados para corrigir, tenham à disposição, prioritariamente, uma ou duas casas que sejam consideradas por eles, a melhor ou as melhores. Nessa ou nessas casas, o mais antigo ou os dois mais antigos da Congregação sejam nomeados Superiores e ali sejam colocados os irmãos professos que não concordarem com tal relaxamento; ali estejam os que desempenham as variadas funções da comunidade. Além disso eles poderão transferir, de acordo com a necessidade, os irmãos que ali moravam.

Queremos e ordenamos que não seja permitido transferir tal ou tal superior destas comunidades e nem mesmo transferir os irmãos que foram ali colocados por eles, antes que tudo seja bem determinado.

E, se tal determinação for estabelecida para favorecer os  tíbios ou relaxados, ou se não forem observadas as prescrições, queremos que, aquele superior ou irmãos que preferiram permanecer no rigor dessa disciplina, fiquem nesse ou nesses lugares antes designados; e que os outros irmãos não possam, de modo algum, intrometer-se em tal ou tais Conventos.

E, se nos outros conventos ficarem alguns que são contrários a este relaxamento e a essa tibieza, queremos que possam , sem pedir licença para o seu superior, unir-se a esses novos conventos e que os outros relaxados não possam, de modo algum, opor-se a eles, nem se encarregar deles.

Mas, prestem atenção, irmãos: mesmo vivendo em semelhante ruína de costumes, muitos se levantam e dizem: “Nós também queremos viver segundo as origens”. Reparem, então, se aqueles que falam assim observavam primeiro as boas regras que podiam observar! Caso contrário, não confiem neles, porque, em tais grupos, são bem poucos os que têm reta intenção. Aliás, alguns dizem que têm vontade de mudar, mas na verdade desejariam não ficar submetidos a ninguém, ou fugir dos aborrecimentos, ou viver na abundância e na ociosidade, ou com bons companheiros, ou comodidades, ou para poder estudar ou por algum motivo semelhante, isto é, razões que não são a finalidade desta Reforma. Ora, a verdadeira finalidade da Reforma revela-se nisto: que procuremos tão somente a pura honra de Cristo, a pura utilidade do próximo, o puro desprezo de nós mesmos e só  injúrias, para que os reformadores considerem agradável o ser desprezados. Se vocês os reconhecerem dessa forma, então, os tragam para sua companhia, porque assim agradarão a Deus, mas se acharem que eles não são assim, como já foi dito, não os aceitem.

E para que os que corrigem os outros, os Superiores, ou mesmo os irmãos não façam tais “sequestros”, queremos que, de maneira alguma, se separem, caso antes tenham sido considerados, na Congregação, como revoltosos, possessivos, ambiciosos, manchados com algum defeito escandaloso e com alguma negligência grave. Mas, se esses irmãos viviam honestamente no passado, queremos que não se crie nenhuma outra dificuldade para eles.

E a vocês que, dessa forma, se separam dos outros, nós os cumulamos de bênçãos divinas e os advertimos para que não tenham medo, mesmo que, com isso, não gozem de prestígio e de simpatia, pois assim acontecia com os apóstolos. E a unção do Espírito Santo lhes ensinará tudo e tomará conta de vocês, porque foram do agrado de Deus, ó pequeno rebanho! (Lc.12,32).

Irmãos, nos acréscimos, supressões e reformas que não relaxam, muito pelo contrário, conduzem a maior rigor e estabilidade da Congregação, queremos que prevaleça a decisão da maioria de três quartos, como já foi dito e, que em tudo permaneça a união.

Só mais uma coisa: Prestem atenção, irmãos; queremos que, tudo o que foi escrito neste capítulo e em todo o livrinho das Constituições, não seja entendido senão exatamente no sentido que a simples exposição das palavras tem. E, dessa forma, queremos que vocês não acrescentem nada a elas, ou lhes tirem alguma parte ou  lhes façam alteração, a não ser como dissemos antes.