Antes de receber aqueles que vocês julgam serem dignos de ser recebidos, leiam para eles a Regra ou as atuais Constituições. Se forem analfabetos, expliquem – nas (estas mesmas Regra e Constituições), pelo menos três vezes.

Aconselhamos, aliás, exigimos que vocês só recebam os que podem ser úteis para si mesmos e para os outros. Por causa disso, se aparecerem uns não muito inteligentes, mas de muito boa vontade e pedirem para ser acolhidos, admitam-nos e os aceitem, não diretamente na comunidade e nem mesmo nas reuniões e capítulos. Se forem inteligentes, não os recebam se não tiverem uma grande boa vontade, porque estes, se forem bons, farão um grande progresso espiritual. Ao contrário, se forem maus, se estragarão a si mesmos e aos outros.

Irmãos, de fato, vocês verificarão que aquele que incita  murmuração, a tibieza e os cismas nas comunidades ou nas Congregações, este impede que a luz chegue aos que têm pouca capacidade e apaga o fogo do entusiasmo do fervorosos. Por isso, observem a natureza de uns e de outros e procurem compreendê-la muito bem, isto é, ver se o candidato está sem luz ou sem fogo. Vocês conhecerão esta realidade, observando o que dissermos mais adiante, não só por um dia, mas por muito tempo.

Será melhor para vocês ter e receber poucos, mas com boa disposição, do que muitos, não aptos. Não julguem inaptidão a que vem do corpo ou das posses materiais, mas a que vem da alma. Por isso, poderão receber, também, os fracos ou doentes, velhos ou camponeses, de qualquer condição (menos pessoas do outro sexo), contanto que sejam dotados de boas qualidades, de fogo e de luz. Os que serão recebidos acertem, antes, o que possuem, ou por testamento, ou por divisão de bens, ou por distribuição, não dando ou deixando coisa alguma para o Mosteiro. Vocês devem ser prudentes. Se aparecer alguém que tenha muitas dívidas ou que deva ser punido por algum crime que cometeu e quisesse ser recebido por nós, que este diga pura e sinceramente a verdade. E, se descobrirmos que ele não manifestou com simplicidade as coisas ditas acima, não o admitam à Profissão, de modo algum, a não ser dois anos após a revelação e a descoberta da mentira e dos outros maus hábitos. Mas, se descobrirmos tal mentira somente após a Profissão, queremos que a Congregação se desobrigue de pagar as suas dívidas e que tal pessoa seja excluída da Congregação, sem exceção e sem demora.

Irmãos, sejam, portanto, prudentes. Mesmo aqueles que forem dotados de boas qualidades e quiserem ser recebidos, sejam experimentados e verifiquem que não sejam “fogo de palha” ou muito exigentes. Experimentem-nos com todo tipo de injúrias e grandes humilhações pondo-lhes, às vezes, esta condição: não serão recebidos! Experimentem-nos com estes e outros exercícios semelhantes, durante muito tempo, não de modo diferente do que faziam os filósofos ou mesmo os antigos Santos Padres.

Portanto, se os encontrarem vivendo na murmuração ou na tibieza, ficando impacientes, ou fazendo coisas semelhantes, não os recebam.

Mas, mesmo em se tratando dos que forem considerados idôneos para  a aceitação ou para  Profissão, a  Congregação não esteja obrigada a mantê-los, no caso que merecessem ser mandados embora.

Irmãos, nenhum de vocês faça a Profissão antes do ano da provação, nem antes dos vinte e cinco anos de idade.

E, se a Profissão for adiada, que ninguém se julgue facilmente professo, nem mesmo obrigado à vida religiosa, a não ser após a Profissão expressa e pública, que será feita com esta cláusula:- Na Profissão, cada uma faz juramento de renunciar aos nossos privilégios, no caso de vir, um dia, a ser expulso ou fugir da Congregação. E expressará sua vontade de que a Congregação não será responsável por isso e nem obrigada a coisa alguma. Antes, manifestará o desejo de que, simplesmente, seja entregue à jurisdição do Ordinário (Bispo).