Quem goza de boa saúde não poderá comer carne de jeito nenhum, a não ser nas seguintes solenidades: Natal e os dois dias seguintes, domingos de Páscoa e de Pentecostes mais os dois dias seguintes, Assunção e Natividade de Nossa Senhora, Natividade de São João Batista, Conversão e Morte de São Paulo e no dia de Todos os Santos. Para evitar a soberba e a ambição, será permitido, nesses dias, servir um cozido de uma só qualidade e em pequena quantidade.

Que ninguém tenha a coragem de guardar malvasia, vinho da Sardenha e vinho doce nas nossas casas e nem os aceite como presente das pessoas de fora, a não ser para os doentes, desde que lhes tenham sido receitados, pelo médico, como remédio. Ninguém aceite, por motivo algum, presentes que não costumamos usar; e os que usamos, se forem doados e alguém em particular, sejam distribuídos por toda a Comunidade.

Ainda: à mesa, de modo algum, ninguém ouse oferecer a outros parte do que lhe é destinado, a não ser, quem sabe, a quem estiver ao seu lado.

Onde houver uma nossa casa, ninguém poderá comer fora, a não ser que seja obrigado a isto pelo Bispo ou por alguma autoridade civil.

O jejum deverá ser observado da festa de Todos os Santos até a Páscoa. Quem quiser beber, poderá fazê-lo na parte da tarde, para que o estômago não se enfraqueça. Poderá comer um pouco de pão, mas não na Quaresma, no Advento e nas vigílias de preceito. Nestes tempos, em vez de pão, permite-se comer frutas. No resto do ano, observe-se o jejum nas quartas e nas sextas-feiras, a não ser que já tenha havido alguma vigília no decorrer da semana. Neste caso, pode ser deixado o jejum da quarta-feira, principalmente no verão.

Ninguém coma coisa alguma fora de hora, esteja onde estiver, qualquer que seja a época do ano e tenha a idade que tiver. Não coma, mesmo que seja uma coisa simples e em pequena quantidade, só porque lhe agrada e lhe é atraente, porque isso é o vício da gula. Quem é dominado por este vício, saiba que, certamente, nunca progredirá no caminho de Deus. E mais: não ficará sujeito só a esta paixão, mas também a outras. Por isso, se você ainda não chegou ao ponto de comer sem sentir prazer, pelo menos não coma só por prazer. Tenha cuidado, porque, atrás da desculpa da necessidade de comer, pode estar escondido o veneno da sensualidade. Quem souber dominar a gula com discrição, vencerá a soberba e, sem dúvida alguma, fará progressos. Por ter de comer e beber, considere-se indigno da conversação com os anjos, com os santos e com os que ainda estão neste mundo. Compare-se aos animais, que têm a sua máxima felicidade na sensualidade corporal.

Além do almoço e do jantar costumeiros de cada dia da comunidade – só duas refeições diárias -, ninguém faça nem uma merendinha diária e nem por um período determinado, mesmo que sejam petiscos insignificantes e gostosos. Ninguém faça isso, a não ser os doentes que perderam o apetite: porque é preceito dominar a gula e só atender à pura necessidade. Não preparem pratos mais finos e em maior quantidade, só porque um dia é mais festivo do que o outro. De acordo com a época, vocês poderão acrescentar, aos alimentos habituais, o seguinte: manteiga, queijo ou outras gorduras, óleo, ovos e sardinhas.