1. A OBEDIÊNCIA

O Superior não tem a permissão de obrigar um irmão sob pena de pecado grave, seja qual for o motivo, a não ser com o consentimento dos Discretos; mas isso aconteça só raríssimas vezes. Será um mau, – digo mais, – um péssimo sinal, quando os superiores forem obrigados a se comportar de tal maneira. Seria um mal menor expulsar da Congregação essas pessoas, do que obrigá-las sob preceito.

A obediência deve ser voluntária e não forçada. O homem deve estar sempre pronto e disposto a obedecer à intenção do Superior (mesmo com medo de ter que carregar algum peso), sem esperar o preceito da Obediência.

     2. A CASTIDADE

Quem for surpreendido uma vez só com palavras ou escritos, gestos ou atos – não digo ter-se envolvido em problemas sexuais – mas apenas comprovadamente ter tentado envolver-se nessas coisas – seja definitivamente expulso da “Companhia”.

E mais: se houver quem não queira crescer na virtude da Castidade (fugindo de tudo o que a ela se opõe), de tal modo que corpo e mente sejam manchados por tais males, este seja eliminado sem que tenhamos medo de errar.

Tenham, porém, grande discernimento para não expulsar alguém, quando essa tentação partir do demônio, ou for uma permissão divina. Vocês saberão se alguém está sendo tentado pelo demônio ou por permissão divina, quando virem esta pessoa refrear voluntariamente a língua e fugir da leviandade e da ociosidade e procurar viver uma profunda humildade, ao mesmo tempo em que deseja ardente e alegremente a verdadeira integridade da alma e do corpo. Mas, se esses sinais não aparecerem, fiquemos atentos, pois essa pessoa está vivendo numa negligência voluntária.

    3. A POBREZA

Não recebam, de forma alguma, bens e rendas anuais em dinheiro, roupas, alimentos ou qualquer outra coisa. E mais: se alguém deixar em testamento coisas semelhantes que chegassem até nós direta ou indiretamente, essas coisas não devem ser vendidas e não se receba qualquer  rendimento delas, tanto  da  propriedade, como do usufruto,  e nem de quem o der voluntariamente e por sua conta; pelo contrário, tudo seja deixado aos herdeiros ou a qualquer outra pessoa, seja quem for.

Nossas casas sejam tão pobres, que se chamem de barracos e não de casas verdadeiras. Não tenham escultura e sejam pintadas só de branco. Contra o frio e a umidade, é permitido usar esteiras e tábuas, desde que sejam rudes, sem nenhum enfeite e coisas supérfluas. Podemos ter uma horta, mas não campos, nem prados, nem bosques. Por isso, não se permita a alguém, cheio do dinheiro, ou a outro nobre, que construa casas ou oratórios para os nossos confrades, nem podemos aceitar que isso aconteça; que eles fiquem com sua pompa e dêem sua oferta a quem quiserem. É falta de honra termos casas e, ainda mais, palácios!

O dinheiro fique na mão de um só confrade, que deve gastá-lo totalmente nas necessidades da casa ou em esmolas, no prazo de um mês. Se não fizer isso, na primeira vez, jejue três dias a pão e água; se errar uma segunda vez, seja proibido de comungar por um ano inteiro, exceto na Páscoa e fique separado dos outros em todos os ofícios ou atividades da comunidade e seja excluído dos encontros e orações dos confrades e, durante um ano, jejue um dia da semana a pão e água. Mas, se cair no mesmo erro uma terceira vez, considerem-no como proprietário e o expulsem da Congregação. É proibido fazer estoque de vinho e de outros mantimentos para além de um mês; e ninguém faça novas compras de alimentos, a não ser dois dias antes que o restante tenha acabado. Ninguém faça empréstimos em dinheiro ou em mantimentos, qualquer que seja a necessidade, nem compre coisa alguma a prazo, a não ser para algum doente. É permitido pedir esmolas de porta em porta, mas só o necessário para um dia. Isso é para que aprendam que é próprio da pobreza ter pouco e é próprio da natureza contentar-se com poucas e pequenas coisas.

Cada um conserve e guarde as coisas da casa – não por avareza, mas como consagradas a Deus – de tal modo que julgue cometer sacrilégio se, por sua negligência, quebrar alguma delas, ou deixá-las apodrecer, estragar ou perder-se. Sejam generosos e alegres em dar e emprestar (2Cor.9,7). Não briguem por coisa alguma que pertença à casa da comunidade. É melhor deixá-la para o seu oponente. Os móveis da casa sejam poucos e rudes, menores e inferiores aos móveis dos homens do campo.

As roupas sejam de lã e de baixo preço, e que um possa vestir o hábito do outro. É permitido usar peles, mas não de animais selvagens. Na cama, usem lençóis, não de linho, mas de lã. Não vistam roupas de linho de jeito nenhum! Distribuam roupas e alimentos indistintamente, na medida do possível e das necessidades, de acordo com as possibilidades.

Seremos felizes à medida em que a nossa mente se fundamentar no desejo da pobreza, a ponto de querermos ser pobres, não só para que não haja mais do que precisamos, mas também para que nos falte até o necessário. Se alguém reclamar da pobreza e quiser mais coisas, não lhe dêem ouvidos; pelo contrário, seja considerado inimigo da pobreza de Cristo, o qual quis que lhe faltasse quase tudo de que necessitava.