Se, por algum tempo, houver necessidade de visitadores, cuidem disto, pois é próprio de cada arte tender para o próprio fim e procurar e criar os meios proporcionados a tal fim. Ora, como o nosso fim principal é o conhecimento de nós mesmos e a vitória sobre nós mesmos, a imitação da bondade e da simplicidade cristãs, abraçar os insultos e querer amar a Cristo, o visitador e reitor deve sempre procurar este fim. Contando que possa conduzir os irmãos a este fim, o visitador não se preocupe se os deve levar pelo caminho da extrema pobreza ou se, constatando a fraqueza e as condições de tempo e idade dos irmãos, deve conceder-lhes algumas coisinhas, mas não muitas. Se for conveniente impor alguma coisa, veja bem o que leva a este fim, mas que não se oponha ao que já se disse e ainda vamos dizer na regra.

Portanto, se durante certo tempo for necessário trabalhar na correção dos defeitos, não se esqueça de que é preciso corrigir os irmãos dos seus vícios, não com a prisão ou outras penitências, mas é preciso arrancar as raízes em tudo. Assim, por exemplo, se acontecer alguma murmuração, não convém dar uma ordem assim: “Se alguém murmurar, faça tal penitência…” Mas, antes de qualquer decisão, o visitador ou mesmo o reitor considere se houve causa razoável para esta murmuração; se não a encontrar, advirta quem murmura, como se disse antes, no capítulo das penas e da penitência (cap.14). Mas, encontrando uma justa causa, deve ordenar e dispor de tal modo que o erro não se repita, mas advertindo sempre que, a cada vez que acontece a murmuração, é porque, certamente, há algum defeito, ou no resultado, ou na causa.

Por exemplo, se fosse dada e aceita uma ordem de multiplicar os jejuns e as vigílias, ou de aumentar o silêncio ou ainda de fazer algumas outras coisas exteriores que não sejam contra os preceitos divinos ou da Igreja, mesmo que servissem para sua melhor observância. Em tais casos ou em casos semelhantes, não se preocupe em fazer pequenas mudanças, acréscimos ou supressões, porque estas coisas e outras semelhantes não são propriamente instrumentos necessários a tal fim. Mas os instrumentos necessários a tal fim são: a humilhação voluntária de si mesmo, o propósito de querer suportar sofrimentos e dores semelhantes às dores de Cristo e de seus santos, a renúncia a seus próprios gostos e a seu próprio parecer.

O visitador estude o modo de introduzir estas coisas e outras parecidas e orientar as mentes neste sentido. E assim, poderá arrancar não só os vícios, mas também as suas raízes. Porque os vícios, se não forem arrancados pelas raízes mas somente cortados, renascem mais tarde. O visitador, então, fique atento para não apenas cortar os vícios, mas arrancar as suas raízes.

Desse modo, ele se esforce, não só em plantar e inserir os bons costumes, mas em inserir, introduzir e incrementar as raízes desses mesmos bons costumes. Em outras palavras, não basta que os exorte à paciência, à humildade, à castidade e a outras virtudes só porque lhes são úteis, mas deve introduzir, na pessoa, as razões e as causas pelas quais devemos inserir em nós mesmos tais virtudes. Por exemplo: o homem deve ser mais paciente porque merece sofrer mais do que sofre, já que foi causa da morte de Cristo e porque ele, por si mesmo, jamais teria podido satisfazer-se pela culpa cometida. Cuide, pois, de introduzir muito mais, as razões do porque devemos plantar os bons costumes, do que dizer apenas: “É preciso adquirir tal virtude”, só porque isso compete ao próprio superior, ao discreto e ao visitador.

É ainda sua tarefa fazer as visitas com calma, não superficialmente, de acordo com as oportunidades, frequentemente, procurando ver os detalhes e com diligência. Durante o exame das situações, evite fazer preceitos e ameaçar, mas, de maneira humana e caridosa, interrogue e pesquise.

Não faça perguntas sutis aos mais simples para que não lhes pareça que ele está zombando deles, caso não saibam responder. E nem perca tempo, querendo incutir neles coisas de que não são capazes. Se, porém, eles quiserem dizer alguma coisa, ouça-os de bom grado. Portanto, é necessário que o visitador seja discreto, benévolo e afável com todos; paciente e não zombe de ninguém.

Interrogue a todos sobre o que está bom e o que está mal no Convento. Mas não acredite logo no mal e sim no bem. E procure logo encontrar o remédio para o mal. As perguntas do visitador sejam, especialmente, sobre: se os irmãos progridem ou não na vida espiritual;  com que cuidado observam o que é prescrito ou, se o transgridem negligentemente.

Proibimos ainda aos visitadores e aos outros, observadas as exigências da caridade, de fazer ou receber visitas de parentes e conhecidos e de outras pessoas das quais não se espera nenhum proveito espiritual.

Proibiamo inoltre che, a causa delle visite, si possano gravare i conventi di contributi o di spese; piuttosto, fratelli, provvedete ai visitatori come è stato detto precedentemente, dove si parlava dei sani e dei malati. Amen.

Demos graças a Jesus e a Maria!