Os que viajam, enviados pela obediência, enquanto estiverem fora de casa, sirvam-se de quaisquer alimentos, conforme os tempos, mas não comam muitos pratos: somente dois. Ninguém engane a si mesmo, dizendo que não pode andar a pé; e, se realmente alguém não puder, não ande num cavalo de raça, nem monte numa mula bonita, mas num animal que, apenas, sirva para a viagem. Não usem, de modo algum, botas elegantes ou luvas. Quer vocês estejam em casa, quer na casa dos outros, usem apenas calçados simples (chinelos).

Chegando ao destino da viagem, visitem nossa igreja ou a matriz, para agradecer a Deus. Antes de começar a viagem, rezem o salmo “Benedictus com a antífona e a oração dos viajantes. Durante  a viagem e em outros lugares, evitem a distração e a curiosidade, pois vocês sabem que o demônio costuma vencer os que se distraem.

Vocês devem andar, pelo menos, de dois a dois ou de três a três, ajudando-se uns aos outros nas coisas espirituais e materiais. Não escolham vocês mesmos mas peçam os companheiros de viagem; para evitar que alguém se sinta envergonhado ou, por qualquer motivo, tenha medo de acusar o outro por causa de algum defeito cometido.

Não saiam de casa por motivos sem importância, – como se costuma dizer, – só para passear, mas sim, por alguma necessidade urgente. Cada um, em casa ou fora dela, procure estar recolhido no “quarto” do seu coração e daí não sair.

Recebam os de fora, cuidem deles e os orientem com bondade e alegria, sejam ou não da nossa Congregação. Na vivência cotidiana, tratem a todos como irmãos da mesma família. E, quando acontecer que tenhamos hóspedes em nossa casa, durante aqueles períodos em que jejuamos à noite, conforme nossas Constituições, vocês podem servi-los de acordo com suas necessidades, não desrespeitando, porém, a pobreza e os nossos costumes. Mas, se mesmo com tudo isso, eles não se sentissem satisfeitos e até começassem a reclamar do nosso tratamento e se até quisessem trazer para nossas casas algum alimento, não tolerem esse gesto de jeito nenhum, nem que eles estivessem doentes! Entretanto, tratem-nos com todo cuidado, como se fossem nossos doentes. Concluindo: se eles não estiverem satisfeitos com o nosso tratamento, convidem-nos delicadamente a sair, porque não podemos tolerar que nossas casas se tornem albergues, principalmente depois de termos providenciado tudo de que eles precisavam.

Antes de mais nada, tenham a certeza e conservem firmemente em seus corações que preocupar-se com hóspedes e com os de fora além da necessidade já considerada, é sinal que estamos relaxando em relação à gula, vício que está sempre acompanhado de muitos outros e nós temos horror e repugnância de tudo isso, tanto nos outros, como nos nossos confrades.