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VENHA A NÓS O VOSSO REINO! – Por Dom Alberto Taveira Corrêa

O Reino de Deus está no meio de nós! Aprendemos do Senhor que não é necessário andar por aí a buscar manifestações externas do Reino de Deus, mas encontrá-lo na discrição de sua presença efetiva e silenciosa, justamente onde ele mesmo, o Senhor Jesus, se faz presente, tanto que dizemos tantas vezes na liturgia que “ele está no meio de nós”. E a Igreja nos propõe festejar a realidade e os valores do Reino de Deus, na Solenidade de Cristo Rei, marca do final do Ano Litúrgico.

Certamente a reflexão sobre o Reino de Deus chega oportuna, quando as últimas semanas nos falam de eleições. Pode ser em outras partes do mundo ou no pequeno horizonte de nossos municípios brasileiros. As dificuldades são tantas, os desafios imensos, e é incrível como tanta gente quer os espaços de poder! Exercê-lo não é simples, mas provocante! Os poderes do mundo atraem e os cristãos, que vivem neste mundo, mas não são do mundo, devem conviver, algumas vezes competir, pelos espaços de poder, sendo provocados por outras realidades que lhes são oferecidas pela fé professada. Como viver neste mundo sem perder a perspectiva do Reino de Deus?

Apaixonar-se pelo Reino! Podemos percorrer as páginas dos Evangelhos a identificar que Jesus veio para proclamar, anunciar com força e fazer acontecer o Reino de Deus. Escolher este Reino é fazer uma verdadeira revolução em nossa alma. Trata-se de mudar o rumo de nossas escolhas. Viver apenas para si ou pelos limitados interesses que nos atraem só leva a uma progressiva frustração. Viver para acumular bens, ou buscar elogios, mergulhar na incontrolável busca de prazeres, competir apenas pelos espaços na sociedade, numa luta que comporta muitas vezes destruir os outros, este é um projeto que nos destrói por dentro! A provocação positiva que Jesus nos faz no Sermão da Montanha é diferente: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33). Mudem-se as perspectivas de vida. Trata-se de um novo modo de viver, deixar de viver para si e viver para o Senhor.

Vamos lá! O Reino de Deus já está presente. Abramos os olhos e o coração para identificar o bem que é feito em torno de nós. Descobrir a importância dos pequenos gestos, a reta intenção, a simplicidade de vida que revela tesouros inimagináveis! Há muito bem sendo feito pelas pessoas. Estes meses difíceis pelos quais passamos nos fizeram descobrir muita gente generosa, muitas experiências de partilha e caridade, desejo de crescer, generosidade imensa em pessoas que talvez fossem julgadas negativamente. Faz-se necessário cavar a terra em torno dos corações para verificar que existem raízes de bem, que não foram destruídas nem mesmo pelas aventuras erradas da vida de tantos irmãos e irmãs. Então, olhar ao nosso redor e descobrir o bem que existe no coração das pessoas e na sociedade!

Outro passo será o compromisso com os valores do Reino de Deus. A Missa da Solenidade de Cristo Rei descreve o Reino que Jesus vai entregar ao Pai: “reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”. Onde estes valores estiverem presentes, lá estarão os cristãos! Prestar atenção, comprometer-se, solidarizar-se com quem se identifica com estas realidades, purificar-se de tudo o que dele pode afastar-nos, priorizar o que nos aproxima das atitudes próprias do Reino de Deus, saber compartilhar a procura do bem existente nas outras pessoas, mesmo aquelas que em muitos aspectos pensam diferente de nós.

E Jesus marcou um encontro definitivo conosco no fim dos tempos. É como um exame final, do qual sabemos as questões que serão apresentadas: “Eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me’. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede, e te demos de beber? Quando foi que te vimos como forasteiro, e te recebemos em casa, sem roupa, e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’” (Cf. Mt 25, 35-40). O Reino de Deus acontece quando sabemos antecipar o fim, a finalidade de tudo! Começar imediatamente, reconhecendo a presença de Jesus no próximo, para que o Reino venha, pois somos todos chamados a ele.

Enquanto esperamos e apressamos a vinda do Dia de Deus (Cf. 2 Pd 3,12), participamos de um caminho rumo à plenitude, como nos anuncia a Liturgia de Cristo Rei: “É preciso que ele reine, até que Deus ponha todos os seus inimigos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, Deus pôs tudo debaixo de seus pés. Ora, quando ele disser: ‘Tudo está submetido’, isso evidentemente não inclui aquele que lhe submeteu todas as coisas; mas quando tudo lhe estiver submetido, então o próprio Filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos” (1 Cor 15, 25-28).

Se esperamos que Deus seja tudo em todos, a Solenidade de Cristo Rei se reveste de missão, indo ao encontro dos outros, pois “há muitos recantos em nossos corações e na humanidade nos quais não é acolhido o reinado de Cristo. Até que um só dos membros de seu corpo ainda não se dispõe a oferecer-se com ele ao Pai, ele não dará por cumprida a sua obra. Nele não existe resignação de deixar alguém para trás. Na Eucaristia, temos a oportunidade ideal para renovar a nossa escolha. Nele o Cristo se oferece ao Pai e oferece consigo todo o seu corpo, numa única e indivisa oferta. Antecipa-se no mistério a entrega do Reino ao Pai que acontecerá no fim dos tempos. Como um riacho que deságua num rio, como que atraído pelas grandes águas, para ser levado ao mar, nós nos lançamos, mergulhando-nos em Cristo”. (Cf. Raniero Cantalamessa, Gettare le retti, Anno C, p. 344, PIEMME, 2004)

Venha a nós o vosso Reino!

 

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