2º domingo da Páscoa: Reflexão do Evangelho

Reflexão do Evangelho – João 20, 19-31

Por Padre Ferdinando Maria Capra, CRSP

Em relação à ressurreição, nós já temos considerado qual é o sinal. Vimos como também o discípulo amado sugere a sua interpretação através das escrituras. Hoje aprendemos que Jesus constituiu testemunhas qualificadas da sua condição gloriosa, os apóstolos. Fez isto através de três específicas aparições. A primeira é a de hoje; a segunda, aquela que se dá com a presença de Tomé e a terceira é aquela do mar da Galileia, depois da pesca milagrosa seguida pela Eucaristia.

A condição gloriosa de Jesus é uma realidade sobrenatural, que somente pode ser dada conhecer ao homem por uma iniciativa específica de Deus. No caso das aparições aos apóstolos, vemos ser Jesus glorificado que se apresenta. Devemos então interpretar o quadro que a catequese apostólica criou para nos ilustrar o que de fato, por uma ação sobrenatural, Jesus fez conhecer aos apóstolos. Enquanto damos toda a importância aos elementos da narrativa, não advertimos que ela é uma adaptação, formulada em linguagem figurativa, para ilustrar a informação que de fato se deu para os apóstolos, através da ação do Espírito Santo, que lhes comunicou o espírito da Profecia. Em virtude desta graça os apóstolos, à semelhança de todos os outros profetas, chegaram à convicção profunda que aquilo que, dizem, então entenderam ser fruto de uma certeza que Deus lhes comunicava e que os tornava capazes de entender o mistério e ao mesmo tempo de anunciá-lo na sua integridade.

O senhor ressuscitado continua sendo um mistério, seja para os apóstolos como para nós; isto é uma verdade que Deus revela e que nós, por isso, chegamos a conhecer. Nós somos bem-aventurados porque acreditamos no testemunho dos Apóstolos sem termos visto, enquanto aos apóstolos foi dado de ver e compreender Jesus ressuscitado, por meio de uma específica aparição. A nossa fé também é fruto de uma ação do Espirito, que nos leva a aceitar o testemunho dos Apóstolos.

O próprio Jesus declara que a consciência que ele tem da sua divindade é o fundamento mais profundo da sua certeza, enquanto é sob o Espírito Santo que a proclama. Todas as outras circunstâncias a corroboram.

Na força do Espírito que é o seu Espírito, porque Jesus é a pleno título Verdade e Vida, com o Espírito da Verdade e vivificante, comunica à Igreja a condição de perdoar os pecados, a correta interpretação das Escrituras, a tarefa de pregar, com a unção do Espírito Santo, a Boa Nova.

 

Padre Ferdinando Maria Capra pertence à Ordem dos Clérigos de São Paulo (Barnabitas) e serve no Rio de Janeiro (RJ).

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