Domingo, Ascensão do Senhor: Reflexão do Evangelho

Reflexão do Evangelho – Lucas 24,46-53

Ascenção do Senhor

Hoje, celebramos a entronização de Jesus, à direita da Majestade. Vimos Pedro adorá-lo, após ter ouvido do discípulo amado: “É o Senhor!”, Aquele que, logo em seguida, o constitui pastor da sua Igreja, que vemos nutrir com a sua Eucaristia. É o ressuscitado que aparece às mulheres que correm para levar o anúncio dos anjos, ouvido ao sepulcro; Aquele que, aparecendo aos Apóstolos no Cenáculo, lhe dá a sua paz e lhes comunica o Espírito.

Chegou o momento da sua maior glorificação, após ter glorificado o Pai com a sua imolação.

Deixa de agir por uma presença visível, para agir com o Espírito, exatamente da forma que João o contemplou quando prisioneiro na Ilha de Patmos: Filho do Homem, Glória de Iahweh, que manda escrever as coisas que viu as que são e as que devem acontecer em breve.

Temos, agora, no céu, um Sumo Sacerdote que intercede por nós.

É o dia em que a Igreja recebe a missão de dar testemunho do seu Mestre, Guia e Senhor. O pode fazer com toda segurança, porque recebe o Espírito no dia de Pentecostes.

A Ascensão é a solenidade conclusiva do tempo da Páscoa, que começa com a Ressurreição do Senhor anunciada à Maria Madalena e às outras Marias que, no primeiro dia da semana vão ao sepulcro. As que pensam de visitar um sepulcro, em que jaz um cadáver, recebem um anúncio inesperado: “Aquele que procurais não está aqui, ressuscitou. Ide dizer aos Apóstolos que ele vos precede na Galileia, lá, eles o verão”. Em lugar de obedecer à ordem do seu Mestre, os Apóstolos, guiados por convicções humanas, querem verificar o que as mulheres afirmam. Acabam não encontrando mais o corpo de Jesus, nem o anjo da ressurreição. Lucas nos diz que é o próprio Jesus, que após lhes aparecer no cenáculo, comunica-lhes o Espírito Santo para a inteligência das Escrituras, conduz os Apóstolos até o topo do monte das Oliveiras, que se chamava Galileia pela sua forma arredondada.

Temos a ascensão daquele que realizou em si a figura humano-divina da profecia de Daniel 7,14, que deve ser comentada com Ez 1, 28. Aquele que já comunicou o Espírito para a inteligência das Escrituras, agora, segundo o poder que lhe foi concedido, envia os Apóstolos para dar continuidade à sua obra: “Pregai o Evangelho e batizai”. Deste Jesus fala Rm 1,4: é nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho constituído com poder, em espírito de Santidade. Cl 1,18-20 dele diz ser a Cabeça da Igreja seu corpo.

Padre Ferdinando Maria Capra pertence à Ordem dos Clérigos de São Paulo (Barnabitas) e serve no Rio de Janeiro (RJ).