NA ESCOLA DO BOM PASTOR – por Dom Alberto Taveira Corrêa

Vivemos um tempo especial de envolvimento pastoral na Arquidiocese de Belém, dentro de uma verdadeira moldura traçada pelo Espírito Santo. De um lado, o Sínodo Especial para a Amazônia, com seu Documento Final e a Exortação Apostólica “Querida Amazônia”, eventos que foram como que provocados por um Encontro dos Bispos da Amazônia Legal, acontecido aqui mesmo em Belém. Envolvendo-nos plenamente está o rico magistério do Papa Francisco, que nos impulsiona a sair de nós mesmos e desenvolver o espírito missionário de uma Igreja “em saída”, para frente e para o alto, a escuta preparatória do Sínodo dos Bispos de 2023, meta aberta pelo Papa e pela Igreja para todos nós. Aqui, no chão de nossa terra, acontecem as etapas decisivas do Primeiro Sínodo Arquidiocesano de Belém, além das iniciativas missionárias de nossa Igreja, que não perde tempo, mas é chamada a lançar-se a novos horizontes, a fim de que ninguém fique fora do alcance do Evangelho. Nos meses de maio e junho, a cada semana haverá um Encontro Sinodal, com os diversos setores de atividade pastoral da Arquidiocese, num processo de envolvimento de todas as forças vivas de nossa Igreja

Na festa do Bom Pastor, somos chamados a seguir o Senhor, o Pastor de todos os pastores, assim como deveremos espelhar, em nossas atitudes, a mente, o coração e os gestos do Senhor. Estamos diante da figura do Bom Pastor, cujas belas palavras incomodaram muitas pessoas, que se sentiram atingidas e feridas, pois os mercenários com os quais foram comparados, não cuidaram do povo que o próprio Deus lhes havia confiado. Estamos na Escola do Bom Pastor, para que nossas atividades “pastorais” possam refletir suas palavras, seus sentimentos e seu coração. Nosso único Mestre seja Jesus Cristo!

Ressoe a palavra profética: “Como o pastor toma conta do rebanho quando ele próprio se encontra no meio das ovelhas dispersadas, assim irei visitar as minhas ovelhas e as resgatarei de todos os lugares em que foram dispersadas em dia de nuvens e de escuridão. Eu as retirarei do meio dos povos e as recolherei do meio dos países para conduzi-las à sua terra. Apascentarei as ovelhas sobre os montes de Israel, no vale dos córregos e em todas as regiões habitáveis do país. Eu as apascentarei em viçosas pastagens, e no alto monte de Israel estará o seu curral. Ali repousarão num belo redil e pastarão em suculentas pastagens sobre os montes de Israel. Eu mesmo apascentarei minhas ovelhas e as farei repousar. Procurarei a ovelha perdida, reconduzirei a desgarrada, enfaixarei a quebrada, fortalecerei a doente e vigiarei a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-las conforme o direito” (Ez 34,1-16). Sabemos que ele está no meio de nós, e quando nos queremos bem e nos amamos com sinceridade, esta presença nos dá inspiração para as decisões e os procedimentos em vista do bem de nosso Povo e o crescimento da Igreja e do Reino de Deus.

Deixemo-nos provocar positivamente, para rever nossa docilidade ao Bom Pastor e nossas atitudes diante das muitas pessoas que, de alguma forma, nos são confiadas (Cf. Jo 10,1-18). Sim, aqui somos rebanho e pastor, ao mesmo tempo!

Quem entra pela porta é o pastor, quem não entra pela porta no redil onde estão as ovelhas, mas sobe por outro lugar, esse é ladrão e assaltante. Nossa atitude pastoral, com “cheiro de ovelhas”, é primeiro um respeito profundo pelas pessoas. Entrar pela porta é levar em conta sua história, seus anseios, esperanças e problemas, superando julgamentos e preconceitos. E Jesus Cristo é a porta das ovelhas. Quem entrar por ele será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem! Encontrando-nos com ele, passaremos pela porta e chegaremos ao coração das pessoas. Se tudo começa em Cristo, dará certo! Ninguém se iluda, pensando que poderá resolver todos os problemas apenas com as forças humanas. Atitude a ser tomada, em consequência, é uma vida intensa de comunhão com Cristo, para chegar ao coração das pessoas.

Aquele que é o Bom Pastor, Jesus Cristo, chama as ovelhas pelo nome, e elas o escutam e o seguem. O Senhor quer que nós alcancemos a todos, sem exceção, e que conheçamos os nomes e as situações em que as pessoas se encontram. O trabalho pastoral há de ser personalizado, e para isso haveremos de formar bem as pessoas que vão ao encontro das situações mais difíceis. Trata-se de um povo que assume atitudes pastorais, com o desejado número e qualidade de agentes. Atitude pastoral consequente será a ampliação de serviços e ministérios, para alcançar o maior número possível. “Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho! Livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Com os sem-lei, me fiz um sem lei – eu que não era sem a lei de Deus, já que estava na lei de Cristo –, para ganhar os sem-lei. Com os fracos me fiz fraco, para ganhar os fracos. Para todos eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do evangelho eu faço tudo, para dele me tornar participante” (Cf. 1 Cor 9, 17-23).

O Bom Pastor caminha à frente das ovelhas! O aprendizado na Escola de Jesus Bom Pastor pede que nós demos testemunho de coerência e vivência do Evangelho, não admitindo em nós mesmos qualquer relaxamento e infidelidade! E se acontecer de um de nós cair ao chão, pelas suas fraquezas, venha imediatamente uma atitude pastoral de cuidado com quem agora, feito ovelha perdida, precisa de quem a ponha sobre os ombros para reintegrá-la no exercício dos serviços pastorais.

O Bom Pastor, em sua Escola, chama e forma discípulos missionários, não apenas alunos. A eles, ele dá a vida em abundância, e quer que estes se desdobrem na oferta da vida a todos os outros, que porventura ainda não se encontrem no Rebanho do Senhor. Não somos pastores ou ovelhas “profissionais” e assalariados, mas homens e mulheres que descobriram a fonte da vida em Jesus Cristo, não podendo acomodar-nos ou ficar calados. Abrem-se horizontes infindos para nossa presença! Ninguém passe em vão ao nosso lado na Igreja de Belém!

Enfim, compartilhamos com o Senhor o projeto de um só Rebanho e um só Pastor. Não nos acomodemos com as divisões internas na Igreja e nem com um mundo de indiferentes ou inimigos! O Sangue derramado que nos salvou tem valor de eternidade, e não nos permite ficar acomodados.

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