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QUE DEVEMOS FAZER? – Por Dom Alberto Taveira Corrêa

        “O que ouviram lhes tocou o coração e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: ‘Irmãos, que devemos fazer?’ Pedro respondeu: ‘Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo’” (At 2, 37-38). Desde o primeiro anúncio do Querigma esta pergunta se repete, no correr dos séculos, diante da força da Palavra de Deus e dos acontecimentos. E estes oferecem verdadeiros enigmas, como as inesperadas e inexplicáveis situações em que se encontra a humanidade, no quadro atual da história. Não vamos responder com a imaginação dos autores de livros ou filmes, cuja linguagem mais ou menos apocalíptica traz verdadeiro pavor a tantas pessoas. Não seremos também os pessimistas de plantão, vendo tão somente o que existe de negativo nas intenções e ações de pessoas e grupos. Por outro lado, não queremos permanecer ingênuos diante dos problemas. Desejamos debruçar-nos à escuta da Palavra de Deus, prontos a discernir o que é necessário pensar e fazer em cada momento presente, diante de todos os desafios.

         Nossa bússola, no meio de todas as tormentas, é a Palavra do Evangelho. Jesus havia se referido a algumas cidades da Galileia de forma contundente (Cf. Mt 11, 20-24), cuja recusa frente ao anúncio do Reino de Deus tinha sido notória. Diante da soberba e da arrogância das cidades amaldiçoadas, Jesus toma posição forte e firme. E durante a história da humanidade, não foram poucas as sociedades e nações que se alçaram prepotentes, pretendendo o domínio de tudo e de todos, e todas elas se deixaram amaldiçoar por dentro, por seu próprio egoísmo! Continuamos assistindo construções de sistemas de vida que fatalmente vão entrar em crise profunda! E o clima desafiador que envolve no momento toda a humanidade, gerado por um ameaçador “bichinho invisível” já está suscitando, em muitas pessoas de bom senso, um sadio questionamento a respeito dos princípios e práticas que dominam a organização da sociedade. Esperamos que alguma lição venha a ser aproveitada.

Daí se entende a exaltação do humilde e do simples, feita por Jesus, com a coragem para andar contra a correnteza, começando com uma oração: “Naquela ocasião, Jesus pronunciou estas palavras: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 25-30).

A oração de Jesus é o louvor ao Pai. Oração não é em primeiro lugar peditório, mas abertura de alma, e ela começa com o engrandecimento daquele a quem se dirige. Além disso, a oração é a linguagem própria da vida da Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo. Deus é simples, Deus é tão grande que se faz pequeno. Deus é amor! Com Deus não se negocia a preço algum, pois nele e com ele tudo é gratuidade, tudo é dom. E aqui está uma lição inestimável! A abertura de quem doa tudo e não guarda nada para si. Desde toda a eternidade e pelos séculos afora, Deus é entrega e doação!

Quem pode entendê-lo são os simples e os pequeninos, quem sabe se encantar, brilho nos olhos, com as magníficas descobertas que faz. Quantos de nós aprenderam o que é a vida com os olhos das crianças, sua ingenuidade e espontaneidade. Quantas são as experiências que fazemos ao ver jovens e adultos que se transformam pela força do Evangelho, e a Igreja aprende muito vendo drogados que se recuperam! Parecem crianças, simples e pequenos que se fazem, apenas por ouvir e praticar a Palavra de Deus!

Quem consegue abrir os olhos descobre que tudo isso só pode ser entendido e recebido como dom! Não se trata em primeiro lugar de uma conquista pessoal, mas de descoberta, a que se segue depois a luta, que vem como consequência. O conhecimento do Pai e do Filho só pode ser entendido por quem se abre à eterna poesia da revelação de Deus.

Neste ambiente de gratuidade é que se pode entender o chamado de Jesus: Vinde a mim, vós que estais sobrecarregados e cansados, e eu vos aliviarei. Não há limites para este entrega! As coisas de Deus só podem ser entendidas começando pelo coração. Depois vem a cabeça, os raciocínios, mas primeiro deve vir a gratuidade, a liberdade do encontro com Deus!

E o Senhor nos envolve com laços de amor, como a experiência narrada na profecia de Oséias: “Eu os lacei com laços de amizade, eu os amarrei com cordas de amor; fazia com eles como quem pega uma criança ao colo e a traz até junto ao rosto” (Os 11,4). Só depois o Senhor, numa santa esperteza, faz o convite, sem dúvida exigente: “Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,29-30). É o outro lado da medalha, o envolvimento de nossa liberdade, aceitando carregar o fardo libertador do amor, a modo de Jesus!

O que fazer? Acolher o convite do Senhor, aceitar a corajosa tarefa de ser diferentes para melhor, não em eventuais exageros ou fanatismos, mas na disposição para transformar cada passo e cada dia em amor a Deus e ao próximo. Entretanto, é necessário ter uma boa dose de coragem, pois pode parecer mais cômodo deixar a vida correr! Decidir-se a seguir Jesus é para nós caminho, verdade e vida. Também nos dias que correm, só nele se encontra salvação e sentido para a vida! É o que podemos e devemos fazer!

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